INICIAL EDITORIAL CINEMA ESPECIAL DESTAQUES NOVIDADES LANÇAMENTOS ANUNCIE CONTATO
  
Área reservada para Colunistas > Entrar  
CANAIS
eucultura
Destaques


Lista de artigos recentes
Home > Especial > TEMAS ANTIGOS > A Mulher na Maçonaria – Parte I Especial

TEMAS ANTIGOS

A Mulher na Maçonaria – Parte I

Por Editorial [MisteriosAntigos]
20/09/2007
Texto adaptado do livro Sociedades Secretas - Maçonaria, publicado pela editora Universo dos Livros

Quando o assunto é maçonaria, um dos pontos que sempre geraram polêmica é a participação feminina. Não é de hoje que se sabe que as mulheres tem um acesso restrito à Ordem e que, como veremos mais para frente, ordens derivadas foram criadas como uma espécie de compensação.

Hoje é conhecida uma variação diferente de maçonaria, chamada de mista (como pode ser visto no site da Ordem Maçônica Mista Internacional
"Le Droit Humain" e da Federação Brasileira "O Direito Humano".

A diferença, neste tipo, está em três pontos essenciais: ser uma sociedade mista (de homens e mulheres), ter um caráter internacional e uma continuidade iniciática (de 23 graus no total).

Mas o assunto aqui são mesmo as mulheres. Sua participação na maçonaria tradicional é muito pouco conhecida pelos historiadores por diversos fatores, entre eles a destruição de uma grande parte dos documentos que comprovavam tais fatos.

Isso aconteceu porque os próprios maçons de lojas exclusivamente masculinas resistiam e ainda resistem a idéia da participação feminina. A maioria dos textos consultados para este livro justifica a idéia assim:

“A não admissão de mulheres na Maçonaria é uma tradição milenar que vem desde os Maçons Medievais, que deles vem sendo transmitida até nós através dos manuscritos dos antigos deveres que serviram de base para a elaboração dos regulamentos dos livros das constituições de James Anderson. Não há nenhum preceito especial que proíba as mulheres de participar da Maçonaria. Talvez a reclamação mais antiga que se conhece é contra essa tradição é da Rainha Elizabete quando no início do reinado, ao tomar conhecimento da existência da Maçonaria, soube não poder se afiliar a ela por ser mulher e assim não participar de seus segredos. A não admissão de mulheres na Maçonaria é uma tradição de quase mil anos, que não pode ser abolida por ser a Maçonaria uma ordem” - Ambrósio Peters, Ordem de Curitiba, Paraná, escritor, historiador, filósofo e livre pensador, conforme texto publicado no Portal Maçônico (www.samauma.com.br).

Apesar de todas essas resistências, a relação da maçonaria com o sexo feminino sempre foi marcada por separações e reconciliações, o que a caracteriza como conturbada e polêmica. Mas como tudo começou?

Sociedades Secretas - Maçonaria  - autor Sérgio Pereira Couto
Para entender essa relação amor-ódio é necessário voltarmos um pouco no tempo, mais precisamente para a Idade Média, por volta do fim do século XVI, quando a restrição ao ingresso de mulheres na Ordem tinha empecilhos próprios ao ofício.

A sociedade da época era caracterizada por miséria e falta de empregos e os homens, com medo da inclusão da mão-de-obra feminina que poderiam se tornar operárias com salários menores, quiseram restringir essas oportunidades.



Historiadores indicam que, em épocas anteriores, o ingresso em sociedades secretas era bem amplo, podendo entrar tanto homens quanto mulheres de qualquer posição social e cultural. A única exigência que havia era a de que os candidatos (e candidatas) fossem puros e de conduta nobre.

O autor do Dicionário de Maçonaria mais conceituado entre os adeptos desta sociedade secreta, Gervásio de Figueiredo, conta em seu livro:

Dicionário de Maçonaria  - autor Joaquim Gervásio de Figueiredo
"Se remontarmos a origem da Ordem aos antigos mistérios do Egito, Grécia e Roma, sem esquecer a escola de Pitágoras, fundada em Crotona em 529 A.C., calcada nesses mistérios, e depois difundida pela Grécia, ali encontramos iniciados homens e mulheres, passando todos igualmente pelas mesmas provas e cerimônias. Se, porém, preferirmos encurtar a idade da Maçonaria e situar sua origem nas Corporações Operativas da Idade Média, então nada descobrimos expresso claramente a favor dessa tese, também nada deparamos contra”.



A perseguição às mulheres começou por influência de mistérios de origem Judaicos-Mitro-Romanos (o culto ao deus Mitra, por exemplo, era essencialmente masculino). Algumas agremiações na Idade Média vivam na clandestinidade com a finalidade de escapar de perseguições do clero e dos políticos de então.

Em artigo publicado no site Maçonaria Feminina a autora Anatoli Olynik Dyn explica:

“Em nenhuma escola pesquisada anteriormente, foi encontrado algo que proibisse o ingresso da mulher na ordem; pelo contrário, nos antigos mistérios do período operativo, a mulher desempenhava funções em igualdade com o homem, com a diluição desses mistérios pelas religiões, principalmente a Igreja Católica, as mulheres acabaram sendo discriminadas e inferiorizadas, e o clero feminino limitou-se a prestar serviços aos dirigentes eclesiásticos. Alegavam, nas sociedades antigas que a posição de inferioridade da mulher era devido à sua fragilidade física, sendo que até a esterilidade conjugal era indevidamente associada à mulher, pois não poderia comprometer o macho da espécie perante seus congêneres.”

Registros acusam, ainda, a existência de um pequeno livro, chamado Manuscrito Poema Régio, de 1730, onde uma leitura cuidadosa não revelou nenhum tipo de restrição. Dividido em 794 versos, diz em seu art. 10º, versos 203 e 204: "Que nenhum Mestre suplante o outro, sendo que procedam entre si como irmão e irmã".

Já no item 9º, versos 351 e 352, o texto diz: "Amavelmente servimo-nos a todos, como se fôssemos irmão e irmã".

Quando os landmarks, dos quais já falamos no primeiro capítulo, apareceram é que se observou a exclusão oficial das mulheres. E elas não foram as únicas: na mudança da maçonaria operativa para especulativa, ocorrida em 1717, houve a publicação de uma constituição, em 1723, imposto pelo presbítero James Anderson, que também proibia a entrada de escravos e deficientes físicos.

Para vários pesquisadores do assunto as alterações de Anderson só passaram a serem válidas quando, na época da Reforma Protestante, alegou que os representantes desse movimento foram os responsáveis pela destruição dos demais documentos existentes. Porém a participação do presbítero, que para muitos não era nem maçom, tirou da mulher um direito que fora originalmente dela por anos.

Apenas em 1730 surgiria um movimento destinado a combater esta injustiça. Sete anos após a publicação da constituição de Anderson, surgiu a Maçonaria de Adoção, na França, que era destinada à mulher.

Foi então fundada a Ordem da Fidelidade, que tinha apenas quatro graus. Dois anos depois uma nova Ordem, chamada Ordem dos Cavaleiros e Heroínas da Âncora, dos Cavaleiros e Ninfas da Rosa, que não aceitavam mulheres como membros, foram os primeiros a usar os sinais de reconhecimento com elas e aceitar suas presenças em algumas cerimônias. O caminho começava a ser aberto.


Próximo: A Mulher na Maçonaria – Parte II

Por Sérgio Pereira Couto
Publicado: 03/06/2007

 

TEMAS ANTIGOS: Coluna dedicada aos amigos e colaboradores que deixaram a sua marca no Site MisteriosAntigos.Com




eucultura
Canal
Canal Participativo
Participe...
O Significado da Vida
Robert Happe, filósofo, viajou pelo mundo inteiro em busca de respostas sobre o significado da vida... Assista a entrevista e leia o artigo que preparamos para você! (34min.)
Inscreva-se em nosso Feed
RSS Feeds - Site MisteriosAntigos.Com
é grátis!
O que é Feed?
   
Assinar feed - Notícias em tempo real! Assinar Feed RSS
   
Colunistas


 

  MisteriosAntigos.Com  
   

 |  Todos os direitos reservados - MisteriosAntigos.Com © 1998-2009 Site Mistérios Antigos  |